terça-feira, 13 de abril de 2010

O velho e o tigre - parte 1

Prólogo:

O Final do século XXI não guarda grandes surpresas.Eu estou velho,mas a musica está cada vez pior.As televisões não são mais de plasma.Funcionam como um feixe de luz que sai de pequenos aparelihnos parecidos com um cubo.Você decide o tamanho que quer a tela com um comando de voz, então ela se projecta ano ar.Os carros ainda não voam,se é isso que você quer saber,mas não existem mais combustíveis.Sobre a moda nem vale a pena falar.As ruas,avenidas e estradas são todas projectadas para conduzir os carros com eletromagnetismo.Você programa a rota e voa lá.As cidades são todas projectadas com cabines de oxigénio.Você deve colocar uma mascara especial par anão pegar algum dos milhões de vírus mortais que estão no ar.
Mas onde eu vivo. A cidade chamada de "nova Jerusalém". Não temos esse problema.Ela é protegida pro um cubo especial, de aproximadamente 110 mil Km quadrados.Como aqueles globos de neve que ganhamos quando éramos crianças.e "nova Jerusalém" temos uma extensa área verde, usinas que cultivam algas marinhas que fornecem nosso oxigénio.
E eu estou aqui,morrendo cada dia um pouquinho.tomando pílulas que prolongam minha vida.
Meu nome é Judas Orestes.Não que eu tenha traído Cristo.Mas trai a mim mesmo.E é isso que contarei agora.


Capitulo I


.Hoje existem pílulas para tudo.Até para dançar.Meu medico, um jovem autruista,do tipo que arrecada fundos para instituições de caridade,me receitou uma nova pílula.Caridade dele.Me deu um bom estoque s de remédios que fazem meu armário do banheiro parecer uma drogaria.e não me cobrou nada.sabe que mal sobrevivo com minha aposentado ria.

- Senhor Orestes.Tome um desses a cada 4 horas.
- Obrigado ,meu jovem.

.As tardes eu caminho no parque,minha bengala fica suja de barro na ponta e as vezes eu a passo a noite a polindo, afim de escapar da velho dilema com a morte.Estou com 89 anos.E pareço ser mais jovem , uns 70 e poucos eu diria.Fumei e bebi a maior parte da vida e sempre esperei que a morte viesse me buscar na minha juventude.Agora eu a temo a todo o tempo.Para me desvinciliar dela, tomo um comprimido e caminho pelo parque me agarrado ao passado.A minha bengala..o uso que faço dela não é totalmente culpa da velhice.Quando e era jovem , no ano de 2012.Quando a maioria esperava o fim do mundo e fazia piadas sobre isso, eu esperava ansiosamente pelo amanhã.Sabia que o fim não seria tão fácil.No fundo as pessoas esperavam pelo fim ,para que não tivessem de lidar com a vida.Naquela época, eu já estava cansado.Muito.
.Rebeca, esse era o nome da mulher que eu amava quando nem mesmo conhecia o amor.Como eu disse..eu era jovem, um pouco mais tolo do que sou hoje.Enquanto eu caminho pela área arenosa do parque, observo um casal , em um banco.Pelo que vejo em seus rostos,estão apaixonados.Me agarro a bengala e sinto minha mão suar.

Então e me lembro.

1 de Abril - o dia da mentira - o dia em que eu soube o que era a verdade.

.Eu estava em um bar no centro da cidade.Com meus amigos.E eu ainda não sabia ao que era a amizade.Eu tinha tomado um pouco de vodka alem da conta, e fixava o celular ,esperando uma ligação dela.Minha doce Rebeca.Tao doce quanto a sua buceta molhada que parecia me encarar depois de uma trepada nas tardes de domingo.
.Nós não nos falávamos a semanas, e eu procurava um motivo para não precisar de ve-la.Hoje eu entendo que os jovens veen o amor como uma espécie de negação.Eles tem medo dele.Eu tinha.Talvez seja pelo fato de que,essa força , esse tal de amor mostrasse minhas fraquezas.Agora que estou velho, vejo que me tornei uma pessoa melhor por ser fraco.
Naquela dia, depois do meio nono copo de vodka, resolvi ligar pra ela.Uma senhora atendeu, era a mãe dela.

- Dona Gê,a rebeca ta ai ?
- Você ta bêbado ?
- Um pouco..- Me lembro que senti um constrangimento fora do comum.
- Judas..ela está se arrumando para o casamento.

Ainda hoje, tenho certeza que se eu visse meu rosto no espelho aquela hora, eu estaria pálido como mármore.

- Quem..quem vai se casar ? alguma amiga dela ?
- Não.Ela que vai se casar.Olha tenho que desligar..

E desligou.Arremessei o celular na parede.Meus amigos que estavam na mesa comigo se assustaram.

- Porra velho, enlouqueceu é ?

estavam comigo na mesa: O pança,Carlinhos e Marieta.

- eu tenho que ir pessoal..

Cambaleei até a moto que eu tinha na época.A moto que naquela mesma noite, seria destruída por um caminhão em alta velocidade.

2

.Eu cortava os carros sem me importar com nada.fui pego desprevenido pela chuva.agora está chovendo e o casal do banco correu.O rapaz tenta proteger a sua namorada com a blusa, e eu estou aqui, parado no meio do temporal.Sinto as gotas caírem.Observo o ceu, vejo a luz do sol passar pelo vidro de proteção que serve como uma segudna camada de ozônio.Vejo nuvens artificiais se espalhando.

Ainda hoje eu não entendo o que a chuva quer me dizer.

.Meus sapatos de 20 anos estão encharcados, minha bengala afunda no barro, e eu sinto um apontada na prótese que hoje é minha perna.É engraçado e também estranho.Talvez a comédia nos cause o efeito do riso, por que seja estranha.talvez a gargalhada seja uma reacção do nosso corpo ao estranho.O amor é estranho.Por isso hoje , eu sei que amava rebeca, pro que ria ao lado dela sem motivo algum.
.Procurei um abrigo e vi um bar na frente da entrada do parque. me sentei e pedi um copo de agua.fechei os olhos e me lembrei que parei a moto na frente da casa dela.Perguntei ao vizinho que fumava um cigarro no portão.Provavelmente brigara com a esposa e tentava relaxar tomando um ar fresco.Perguntei se ele sabia aonde seria ao casamento.Ele me disse o local.Ficava no outro lado da cidade.
.Era a igreja onde meus pais se casaram.

.Subi na moto e peguei a alto estrada.estava a quase 90 km/h.Eu pensava em rebeca, nas nossas brigas,no dia em que trepamos pela primeira vez e também no dia em que fizemos "amor" pela primeira vez.hoje ainda fecho os olhos e me lembro de quando brigamos pelo fato de eu beber demais.Hoje eu sei que a bebida não valia mais do que ela.Nada valia mais do que ela.

3

Ainda sinto a dor dilacerante que senti na minha perna sendo esmagada a poucos metros da Igreja ,onde ela estava se casando.O noivo era um ex.Que ela largara para ficar comigo.E que agora retomara o namoro depois da nossa briga.Ainda posso ver a moto se inclinando,me vejo gritar enquanto ela esmaga minha perna e se arrasta comigo pelo asfalto.Depois que ela para , eu tento tira-la de cima de mim, eu me puxo e ouço o barulho das minhas vértebras se rompendo. me arrasto até o outro lado da estrada sentindo como se enfiassem mil facas na minha perna. Quando me viro ,vejo um caminhão atropelar a moto.o Caminhão derrapa e ouço a estrondosa buzina.Os carros param, eu vejo o amontoado de carne moída que se tornou minha perna e desmaio.

4
.Minha atenção e voltada para o presente atravez de um cutucão do carçon no meu ombro.

- Mais alguma coisa senhor ? - ele pergunta enquanto coloca o copo de agua na minha mesa.
- sim..Uma dose de vodka por favor..pura e sem gelo.

Engulo uma pílula receitada pelo doutor jovem e altuistra.Eu não bebo já faz quase vinte anos.

continua..

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